quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Dia 21 de Dezembro fim do mundo? Veja o que a cultura maia realmente fala sobre o fim dos tempos

 




Basta pesquisar na internet sobre a cidade de Alto Paraíso de Goiás, para se deparar com inúmeros textos e reportagens sobre como o local pode servir de refúgio para quem quer escapar de um possível desastre que destruiria o planeta em dia 21 de dezembro de 2012. A cidade, que tem altitude superior a 1.600m acima do nível do mar, é protegida também pela Chapada dos Veadeiros, uma formação rochosa situada no ponto mais alto do Planalto Central Brasileiro. Esses fatores representam uma localidade menos vulnerável a enchentes e alagamentos que podem ser provocados pela elevação dos níveis oceânicos. Porém, ao caminhar pela cidade e conversar com quem já vive lá há muitos anos, compreende-se que o fim do mundo mais provável não será aquela catástrofe holywoodiana que a nossa cultura do entretenimento nos ensinou a imaginar. Em vez disso, o que pode acontecer é uma mudança gradual de paradigmas, que deve causar impactos mais profundos em nossa cultura do que um eventual meteoro caindo no Atlântico.



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De acordo com o paulista Rogério*, que vive na cidade há 20 anos, os boatos de que Alto Paraíso seria um local onde as pessoas poderiam se proteger do fim do mundo surgiram na virada do milênio. “Em 1999, a rede Globo fez uma reportagem dizendo que, de acordo com previsões, no dia em que as águas do mar subissem, aqui não seria atingido por causa do chapadão, e que, se o mundo acabasse, aqui não ia acabar. Um monte de gente que é alienada entrou nessa história. E começou a chegar aqui. De 1999 a 2000, de repente, chegaram de 2 a 3 mil pessoas. Dessas pessoas que vieram para cá naquela época, só restou umas 300. Agora, começou a acontecer de novo a mesma coisa”, conta.

O calendário maia

O casal Rogério e Clara* são donos de uma pousada, em Alto Paraíso, e são conhecedores da cultura maia. Durante a estadia da equipe da Ragga na cidade, a primeira coisa que Clara fez foi anotar as datas de nascimento para descobrir quais são os signos maia, chamado de kin, da equipe. Rogério explicou como essa antiga civilização elaborou conhecimentos sobre o nosso universo, com base em estudos matemáticos.

“Nosso planeta está em constante mutação. O ser humano também é mutante, você se transforma todo dia, o que vai mudar são os ciclos. No dia 21 de dezembro de 2012, encerra-se o que os maias chamavam de conta longa, que é um ciclo de 5.125 anos. Eles falam que é a ascensão e a queda de uma raça. Isso aconteceu com os gregos, os egípcios, todas as civilizações que tiveram um auge de poder e depois sofreram uma reação do planeta”, diz Clara, oferecendo detalhes sobre o que realmente a cultura maia diz a respeito da data que se aproxima e assusta tantas pessoas com ameaças de um fim catastrófico. “Muita gente confundiu esse chamado fim de ciclo com o fim do mundo. É apenas uma contagem que está se encerrando. Mas é uma data importante para toda a galáxia”, completa Rogério.

Longe da civilização

Liege Rava, uma paulista mão na massa, dona da pousada Catavento, onde mora com seu filho Tarick, de 9 anos, foi nosso anjo da guarda desde a primeira troca de e-mails para organizar a ida à cidade. Sempre doce e prestativa, foi ela quem levou a equipe em sua charmosíssima Kombi, para conhecer as peculiaridades de Alto Paraíso. Mas antes de nos apresentar às personalidades locais, que passam as manhãs tomando café nas padarias da região, ela já nos deu uma pílula de conhecimento que coincide com o sentimento geral de quem escolheu viver na cidade. “O que vai acontecer a partir de 21 de dezembro é que o ser humano vai parar de ter essa relação materialista e egoísta com as coisas, e vai se sensibilizar mais com o outro. Vai passar a ser praticamente impossível você estar bem, se o outro não estiver”, disse Liege.

Depois disso, foi a vez de conhecer Sol, artista paranaense, que antes de chegar a Alto Paraíso, 34 anos atrás, viveu em São Paulo, no Rio de Janeiro e na Europa. Tomando um café no copo lagoinha e mordendo um pedaço de bolo de fubá, ele contou como e por que veio parar neste lugar. “Muitas pessoas vem para cá para fugir dos grandes centros, buscar uma vida de meditação, de mudança de paradigmas. Na época, eu vim porque havia um movimento de cultura alternativa e a gente vivia a Ditadura Militar. Não queríamos saber dessas coisas de armas e política, queríamos uma vida mais saudável, mais natural”, explica.

Quanto a um possível apocalipse, Sol diz que não acredita exatamente no fim do mundo. “Há uma série de previsões a respeito do término da civilização, não da humanidade, pois a humanidade tem compromissos mais profundos com o planeta. A maneira de sociedade que nós temos é que não serve mais. A projeção de progresso que o homem fez 100 anos atrás está se mostrando uma má opção. Criar indústrias que poluem, que exploram as pessoas, isso não é uma boa maneira de evoluir. Muito agrotóxico, a medicina nas mãos da indústria farmacêutica, religiões que só cegam as pessoas, política corrupta. São essas coisas que vão se transformar nesse novo momento que vai começar”, esclarece. Ele completa, bem-humorado, dizendo que a cidade de Alto Paraíso é um lugar seguro sob muitos aspectos: “Mas nada impede de bater um temporal e matar todo mundo, como pode ocorrer em outros lugares”.

A próxima parada foi uma apresentação infantil de capoeira angola, em comemoração à Semana Mundial da Consciência Negra. Lá, Matheus Aleixo, professor de circo e mineiro de BH já se identificou com o sotaque das forasteiras e contou que sonhou com esse lugar antes mesmo de conhecê-lo. “No sonho, eu caminhava por um lugar que nunca tinha visto e depois fui descobrir que era aqui. Ainda no sonho, havia várias pessoas orando em frente a uma igreja e, quando perguntei por que elas estavam orando, me disseram que era porque os responsáveis pela igreja não estavam cumprindo com o que se dispuseram a fazer.” Depois disso, Matheus descobriu Alto Paraíso como seu novo lar, onde, além das aulas de circo, realiza eventos junto à igreja cristã Caverna de Adulão.

A física da cidade

De acordo com Rogério, Alto Paraíso é uma cidade que está localizada em cima de uma das maiores placas de silício do mundo. “O silício é um material condutor, que potencializa, amplifica e isso mexe com as pessoas. Por isso é bom exercitar a vontade enquanto estão aqui. É bom sonhar acordado e visualizar o que quer para a vida. Se isso não for prejudicar ninguém, acontece. Isso porque as coisas aqui acontecem muito facilmente, por causa dessa condução do material, o silício”, explica.

O artista Sol também confirma essa teoria: “Aqui, temos que tomar cuidado com as coisas que desejamos, pois a chance delas acontecerem é um muito grande”.

Vida extraterrestre

Ao passar por uma das ruas sinuosas da cidade, nos chamou a atenção algumas construções em progresso. Eram pequenos iglus de concreto, com janelas arredondadas no topo. O pedreiro Oderlon “Cabelo” nos explicou que aquelas casas serão parte de uma pousada e que são feitas dessa forma para resistirem a qualquer desastre natural que venha a acontecer. “Eu acho que isso de fim do mundo é coisa que o povo inventa, mas meu patrão acredita, por isso estou fazendo esses iglus”, disse Cabelo. À beira da piscina, também ainda inacabada, há a estátua de um ser extraterrestre, que o pedreiro explica ser muito importante para o patrão – que não estava lá no momento – e conta que ele próprio já viveu uma experiência assustadora com possíveis seres de outro mundo. “Essas histórias de gente que viu ETs são muito comuns aqui na região. Uma vez, à noite, do lado de fora de casa, senti uma coisa estranha. Quando entrei em casa, olhei pelo buraco da fechadura e vi dois olhões brilhantes, a única coisa que consegui fazer foi chamar por Nossa Senhora”, diz Cabelo.

Sol conta que também já viu coisas que tem certeza não serem daqui. “Óvnis existem, mas não podemos provar nada, e existe muito preconceito também. Quando tive experiências com manifestações extraterrestres, inicialmente tive medo, mas hoje eu sei é que há tanta coisa que a gente não sabe, não sabemos o segundo seguinte. Uma hora a gente vai ter mais clareza sobre isso, somos bitolados, e eles são civilizações avançadas”, diz.

Rogério também conta que praticamente todas as pessoas da cidade já viram luzes que podem remeter a óvnis. “Sempre tem grupos de ufologia na cidade, pesquisando. Mas se acharam alguma coisa, a gente não sabe. Inclusive, 10 anos atrás guiamos pessoas da Nasa até alguns locais aqui na Chapada, onde eles instalaram aparelhos. Mas não adianta nada a pessoa falar o que vê, cada um tem que saber da própria verdade.”

* Os personagens pediram para não ter o nome identificado.

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